no show do disco ‘O cinema que o sol não apaga’

Neste show solo, Thiago Amud aposta na pungência de seu canto e na expressividade de seu violão para explorar o repertório do disco ‘O cinema que o sol não apaga’, lançado em junho de 2018. O show percorre caminhos que conduzem o ouvinte por um vasto temário: política e amor, mística e mass media, identidade nacional e mundo onírico.

O artista parece acreditar que, embora sob escombros, há ainda aqui um país por inventar, a exigir desvelo e singularidade. É assim que sua “arqueologia” de uma simbólica brasileira vai coincidir com a descida vertiginosa até as raízes de sua memória e de seus afetos pessoais, até o advento de um novo canto que reinaugure o sentido e a alegria da vida. Crítica, sarcasmo e desilusão coexistem com bom humor, esperança e comunhão neste show que não se apagará da memória do público.

Destacam-se as músicas “Brasileia”, “Cinema Russo”, “Catirina Desejosa” e “A mais bela cena” num show denso e arrebatador. Thiago Amud, além de compositor, é intérprete seguro. Seu violão carrega a melhor tradição do violão brasileiro, com harmonia inspirada e inventiva. O show solo do disco ‘O cinema que o sol não apaga’ permite que o espectador mergulhe nas linhas melódicas e letras das canções de Thiago Amud.

Thiago Amud

Além de assinar letra e música da maior parte de suas composições, Amud é também parceiro de artistas como Guinga, Francis Hime, Sergio Assad, Edu Kneip, Zé Paulo Becker, Pedro Sá Moraes, Thiago Thiago de Mello, Thomas Saboga, Marcelo Fedrá, Mauro Aguiar, Renato Frazão, Vinícius Castro e Antônio Loureiro. Já foi gravado por, entre outros, Milton Nascimento, Alcione, Simone Guimarães, Guinga, Francis Hime, Sergio Mendes, Ana Carolina, Marcus Tardelli, Mariana Baltar, Cristina Renzetti, Garganta Profunda e Izabel Padovani.

Gravou o CD “Sacradança”, lançado em 2010 pela Delira Música, em que assina todas as letras, músicas e arranjos. Em novembro de 2013, Thiago Amud lançou no Festival Levada Oi Futuro seu segundo disco solo De ponta a ponta tudo é praia-palma, também pela Delira Música, dessa vez com produção do guitarrista JR Tostoi.

Dividiu com Ivo Senra a direção musical e os arranjos de “Todo mundo é bom”, disco manifesto do Coletivo Chama, e também do espetáculo “Coletivo Chama Canta Mário de Andrade”, especialmente preparado a partir de um convite da Funarte para a XXI Bienal de Música Brasileira Contemporânea (na Sala Cecília Meirelles). Pela primeira vez na história, um grupo de música popular foi convidado a se apresentar na tradicional Bienal.

O diretor do Centro de Música da Funarte, Marcos Lacerda, escreveu na Revista Escuta que Amud é “um dos mais surpreendentes artistas da canção brasileira contemporânea. Suas canções têm uma dimensão propriamente crítica e conceitual, com primor do texto, e palavras que esgarçam a forma musical e criam tensões: entre o pré-determinado (a composição) e o aleatório (a improvisação), a ordenação sonora através do caos e pelo ruído, e uma estética da palavra culta e crua. Thiago enlaça a tradição com a modernidade e aponta o salto para o contemporâneo, com agudeza, consistência e maturidade estético-formal.”

Thiago Amud foi o vencedor do Prêmio Profissionais da Música Brasileira 2016, na categoria Melhor Autor.